
O atual modelo de globalização é mais que uma expansão do sistema econômico capitalista para todas as partes do mundo. Não se trata tão somente de relações particulares de poder economico e político entre as nações e os povos do “centro” e “periferia”. Trata-se, sim, de relações que apontam a uma colonialidade, ou seja, a um “padrão de poder e de conhecimento”, a uma classificação social racial, étnica, de gênero, patriarcal, sexista e religiosa. Foi uma concepção de ser e saber imposta a toda a população colonizada desde a época da conquista do mundo através do mercado capitalista moderno e que sobrevive até nossos dias.
A modernidade ocidental tem se constituído e expressado como um paradigma de guerra que se forjou ao calor de empresas coloniais e genocidas dos últimos quinhentos anos. Fazendo referencia à desigualdade natural entre diferentes povos, facilita e promove tanto a violência dos povos do norte aos povos do sul, como a marginalização massiva, a exclusão sistemática, e o empobrecimento desmesurado de povoações em todas as nações do mundo, consideradas “inferiores” ou “anormais”, ou “não civilizadas”, ou “subdesenvolvidas”, ou “subconsideradas”.
Diante deste horizonte e em um momento de crise da civilização ocidental, a descolonização significa não só combater contra as forças neo-coloniais e destrutivas do neoliberalismo capitalista e de poder militar dos Estados Unidos a nível mundial. Significa também, criar concepções de ser, formas de conhecer e estruturas de poder que efetivamente mantenham e abram espaços de relações humanas e de relações entre os povos que permitam a reconstituição da humanidade dos sujeitos e povos desumanizados para que não colapsem em relações coloniais.
O que usualmente se chama “cultura” joga um papel crucial na definição e legitimação do “padrão de poder colonial”, já que isso implica um “colonialismo cultural”, uma “colonialidade” com suas diferentes formas de ser e conhecer.
Este curso buscará contribuir para a identificação das diferentes e inseparáveis contemporâneas colonialidades culturais e de poder. Também analisará as possibilidades de confrontação direta com as hierarquias de classe, raça, gênero, sexualidade e religião, abertas por projetos de descolonização da cultura e de conhecimento que surgiram nestas últimas décadas das diferentes experiências subjetivas, lutas e matrizes culturais das mobilizações sociais, assim como da memória das irrupções ou violências simbólicas e/ou materiais populares anteriores: indígenas, negras, afro-descendentes, de mulheres, produzidas ao largo dos momentos coloniais e pós-independência de nossa história, latino-americana e caribenha.
O curso propiciará um espaço de ENCONTRO/FÓRUM, para compartilhar as experiências pessoais e coletivas em clima de liberdade e alegre convivência. Proporá pensar e praticar a descolonização em um marco de diálogo intercultural que implica ter uma postura critica diante dos fundamentalismos do primeiro e terceiro mundo e assumir, necessariamente, a complexidade e diversidade de vozes, projetos e lugares produzidos pela reação social frente às diversas situações de desigualdade e opressão existentes, para disputar e reorientar o sentido do que agora vivemos com o nome de processo para “outro mundo necessário” ou seja de uma renovada libertação e humanização.
De NATUREZA ECUMÊNICA este curso a partir do cristianismo de libertação proporá uma resignificação da Fé e também, uma reflexão sobre a descolonização da cultura cristã e um ecumenismo que olha fundamentalmente para a reconciliação dos seres humanos com os seres humanos, além de buscar a unidade e reconciliação dos crentes com os crentes.
“Circuncisão ou não circuncisão. Que mais da! O que importa é uma nova humanidade… o que vale é uma fé que se traduz em amor”. (Paulo, o apóstolo, aos cristãos da Galácia (hoje Turquia) nao 57 dC)
1 - Cultura, colonialidade e descolonialidade. Racismo e cultura. Cultura, império e colonização. Diálogo e práxis intercultural.
Dr. Nelson Maldonado Torres, doutor em filosofia e ciências da religião, professor de pós-graduação no Instituto de Estudos Culturais e Étnicos da Universidade de Berkeley, Califórnia, EE.UU.
2 - A invenção patriarcal da realidade e outras invenções contemporâneas: uma análise crítica.
Dra. Ivone Gebara, teóloga feminista, doutora em filosofia e Ciências da Religião.
3 - Modos como os grupos populares criam táticas de resistência frente às culturas de dominação.
Dr. Lauri Wirth, doutor em teología e prof. de pós-graduação de Ciências da Religião da UMESP, São Paulo, Brasil.
4 - A descolonização da cultura cristã e o cristianismo de libertação.
Dr. Néstor Míguez, doutor em teologia e Bíblia, prof. de pós-graduação do ISEDET, Buenos Aires, Argentina.
Dr. Jung Mo Sung, doutor em Ciências da Religião, prof. de pós-graduação na UMESP, São Paulo, Brasil.
Leia o texto de introdução enviado pelos assessores clicando aqui.
Inscrição e Estudo:
U$ 275,00.
Hospedagem e Alimentação: U$
275,00
TOTAL: U$ 550,00
* Hospedagem e Alimentação: Os cursistas ficarão hospedados e farão as refeições na Casa Comunitária do CESEEP, no bairro do Ipiranga-SP.
* Bolsas: O CESEEP dispõe de algumas bolsas parciais de Hospedagem e Alimentação, para apoiar pessoas com comprovadas
dificuldades financeiras. Se você precisar candidatar-se a uma dessas bolsas parciais, faça com urgência sua
inscrição, anexando uma carta justificando seu pedido e
indicando com quanto você, sua comunidade, instituição ou
movimento podem contribuir.
Efetuar a inscrição e combinar uma data para pagamento com o coordenador do curso.
Dados para depósito bancário*:
Banco Itaú
Agência: 0251
Conta Corrente: 34307-5
Em nome do CESEEP (Centro Ecumênico de Serviços...)
*Se preferir efetuar um DOC, será necessário os seguintes dados:
CNPJ:
52.027.398/0001-53
Inscrição Estadual: Isento
*Também há a possibilidade de enviar via correio, cheque nominal e cruzado, ao CESEEP.
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